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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O "esquema da discórdia"...

A polêmico começou quando "Loco" Abreu - o jogador mais lúcido em suas declarações que eu já vi no futebol - se mostrou insatisfeito com a forma de jogar do Botafogo. O time tinha acabado de virar um jogo complicado contra o Duque de Caxias e, nas palavras do atacante, se fosse uma equipe mais gabarita a vitória seria impossível de ser alcançada.

O
"Loco" Abreu é o maior ídolo do clube nos últimos anos e sua permanência é fundamental.

Pois bem, no dia seguinte, uma reunião entre o técnico Joel Santana e todo grupo foi feita para preencher as "arestas" existentes, onde cada um expôs a sua opinião sobre o "esquema da discórdia". A história do zagueiro Joel como treinador apresenta muitos títulos, em sua grande maioria estaduais, com elencos de modestos à bom e, principalmente, com o trunfo de saber lidar com os jogadores.

No Botafogo da temporada passada, o início do ano ficou marcado pela conquista do estadual, quando poucos apostavam no "glorioso". A formação era altamente defensiva, procurando sempre as bolas levantadas na área para o uruguaio e os zagueiros. Com o passar do ano, e com algumas contratações para o setor ofensivo, a torcida pedia que o técnico lançasse o time mais para o ataque, mas a formação "defensiva" foi mantida e o Botafogo acabou o Brasileiro em 6º, bringando até a última rodada pela quarta vaga na Libertadores. 

O
Joel levou um time limitado ao 6º lugar na temporada passada com o "esquema da discórdia".

A questão central é: O Botafogo pode jogar de outra forma?! Conseguiríamos a classificação?! É motivo para a demissão do "Natalino"?! As minhas respostas são: Depende; O se não entra "em campo" e NÃO!

O Botafogo, pra mim, joga conforme as peças que possui. Joel não seria maluco de manter um sistema defensivo tendo boas peças para atacar. O Botafogo brigou até a ultima rodada com o esquema que joga até hoje, jogando com um elenco limitado comparado aos concorrentes. Joel Santana tem aproveitamento maior que 60%. Qual treinador conseguiu isso nos últimos anos?!

Caso "Loco" ou Joel, ou os dois, saiam do clube, o prejuízo para o clube que tem um bom futuro pela frente será enorme. Só nos resta torcer para que tudo permaneça como está.

Um grande abraço,
Nelsinho Lima.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Jogos Históricos: Final do Campeonato Brasileiro de 95.

Primeiramente, saudações alvinegras nessa data tão especial. Ontem, dia 17 de Dezembro, comemoramos o aniversário de 15 anos do título brasileiro de 1995. Título que marcou toda uma geração de alvinegros que, após a seca de 21 anos sem títulos, viram uma década marcada por bons times e títulos, mas, principalmente, marcada por ídolos!

Jogadores como Wágner, santo Wágner que nos salvou inúmeras vezes - em especial, na final contra o Santos -, Sergio Manoel que tem a camisa do glorioso como segunda pele. Porém, todo alvinegro que escolheu ser botafoguense nesse período, o fez em função de um jogador, um "falastrão" de uma característica simples: FAZIA, e faz, MUITOS GOLS! Túlio Maravilha é o último grande ídolo da torcida. Quando se fala em Túlio, logo pensamos no Botafogo.

A minha visão da final de 95 é de uma criança. Eu tinha apenas cinco anos e acabara de me mudar para o Rio de Janeiro. Todos os meus familiares são Botafoguenses e todos foram, no segundo jogo da final, para a casa de um dos meus tios. A tensão dos mais velhos era transmitida para nós. O segundo tempo da finalíssima é, de longe, o mais tempo que eu me lembre de todos os jogos que vi do Botafogo.

No final, lembro ter visto meu pai e meus tios comemorando igual crianças. Era uma alegria contagiante. Partimos para o local de comemoração de títulos, aqui em Teresópolis, e não se via outra coisa a não ser camisas e bandeiras do Botafogo. Foi um momento marcante pois não gostava muito de futebol e, após esses dias de final, me tornei mais um louco pelo esporte bratão e, pricipalmente, louco pelo Botafogo.

Pra quem não lembra, ai vai o vídeo dos minutos finais do título alvinegro:


SANTOS 1x1 BOTAFOGO

Local: Pacaembu (São Paulo-SP); Público: 28.488; Arbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG);

Gols: Túlio 24' do 1º; Marcelo Passos 1' do 2º;
Cartões Amarelos: Wilson Goiano, Túlio, Wágner e Jamelli

Santos: Edinho, Marquinhos Capixaba, Ronaldo, Narciso e
Marcos Adriano; Carlinhos, Marcelo Passos e Giovanni;
Camanducaia, Jamelli e Robert (Macedo). Técnico: Cabralzinho.

Botafogo: Wágner, Wilson Goiano, Wilson Gottardo,
Gonçalves e André Silva (Moisés); Leandro, Jamir, Beto e
Sérgio Manoel; Donizete e Túlio. Técnico: Paulo Autuori.

Um grande abraço,
Nelsinho Lima.

Para trocar informações com Nelsinho Lima é só adicionar no Twitter. @Lima_Nelsinho. Saudações Alvinegras!

segunda-feira, 29 de março de 2010

O futebol e a literatura estão de luto!

Caros amigos, as palavras aqui escritas não serão nem um pouco suficientes para traduzir a importância de Armando Nogueira para o futebol brasileiro e, principalmente, para crônica esportiva nacional. Para homenagiar o grande mestre, postarei um pequeno trecho de sua obra. Estamos de luto..


México 70


Por Armando Nogueira..

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.

Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.


Um abraço a todos..
Nelsinho Lima.